sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Minha vez /o/

Conto apresentado na aula de português II, hoje (09/11).

Proposta: Uma escada que cresce

Escada Mágica

O coração bate forte, tamanha é a excitação. A planície onde me encontro é assustadoramente ampla, mas não faço a mínima idéia de onde estou, a única coisa que me vem à mente é a lembrança de uma escada. De repente, criaturas esquisitas começam a aparecer de todas as direções. O medo faz o coração bater ainda mais forte e acelerado, mas por alguma razão, sinto que posso enfrentar aqueles seres desconhecidos. Os ataques se sucedem, mas consigo evitar e revidar a todos. Uma imensa sensação de poder invade meu peito enquanto derroto com uma certa facilidade todos os meus adversários. O sorriso surge naturalmente em meu rosto ao lembrar do meu ídolo e perceber que sou tão forte e ágil quanto ele; finalmente pus em prática tudo que aprendi com os filmes do Jackie Chan.

Lembro da escada; algo me diz que preciso encontrá-la, mas parado lutando no meio de uma planície gigantesca é improvável que isso aconteça. Resolvo fugir e deixar para trás aqueles adversários que não paravam de surgir, como se brotassem do chão. Correr também não é uma boa idéia, pois o lugar parece não ter fim, voar seria ótimo. De alguma forma sei que posso voar, então resolvo fazê-lo: na primeira tentativa, tímida, dou um salto e saio alguns centímetros do chão, mas sei que fiz isso sem o mínimo esforço; no segundo salto, já mais confiante, resolvo fazê-lo com mais vontade e subo vários metros; no terceiro, já sei que a gravidade não é mais um obstáculo intransponível, então empurro o chão com toda a força das pernas e ganho os céus com grande velocidade.

Passados alguns momentos riscando os céus, avisto o mar e lembro novamente da escada, penso que estou no caminho certo. Do ar para a água, parece o único meio de chegar à saída desse mundo estranho. Mergulho com uma facilidade impressionante; cada ciclo de braçada em baixo d’água tem uma eficiência incrível, fazendo-me deslocar vários metros. A eficiência não me parece mais tão espantosa quando percebo que estou sendo perseguido por algumas criaturas aquáticas, mas não há tempo para enfrentá-las, pois apesar de tudo, ainda sou um humano e não posso respirar debaixo d’água. Continuo fugindo das criaturas e embora o ar comece a faltar nos pulmões, sei que devo mergulhar ainda mais fundo em busca da saída.

Sigo cada vez mais fundo no oceano e precisando mais de oxigênio até encontrar algo que se parece com a entrada de uma caverna; lembro da escada novamente e penso: é lá! A falta de ar começa a sugar minhas energias, mas o desespero me mantém vivo e alerta. Finalmente consigo adentrar a caverna e lá encontro a superfície e o ar. A ausência de ar foi tanta, que quando respiro, sinto o oxigênio percorrendo cada parte do meu corpo e dando uma nova vida aos músculos debilitados. E logo adiante está ela. Não uma escada, mas uma escadaria grande e imponente. É hora de sair daqui, penso, e começo a avançar os degraus com toda a velocidade. Passam-se alguns segundos, minutos correndo sem parar e não consigo avistar o fim da escada, parece até que ela está aumentando de tamanho. Depois de algumas horas correndo e sem sinal do topo, os músculos, frágeis e tomados pela fadiga, começam a não obedecer aos comandos do cérebro. Incapaz de mover o corpo dolorido e coberto de suor, caio para trás, sentado, e tenho a mais terrível constatação: não subi um único degrau.

Enquanto contemplo a escada boquiaberto e completamente inerte, sem entender o que aconteceu, o chão vai se tornando mais macio e a escada começa a desaparecer vagarosamente diante de mim. Quando a escada some completamente, ainda estou com o corpo dolorido e suado, sentado da mesma forma, mas não mais no chão e sim na minha própria cama. Então, as coisas finalmente parecem fazer sentido e percebo que tudo o que tenho que fazer é pegar mais estrelas no jogo do Super Mario.


Contraponto

Olá me chamo Floricleusa Kathilene Rosinaura e reescrevi o texto do Rogério conforme
no exercício de Língua Portuguesa II da FABICO. Esculachamentos a vontade.


Entre mim, Hegel e Estela.

Eu a escolhi justamente por ela ser perfumada, limpa e elegante. Ela me escolheu pela segurança financeira, pela maturidade, pelo apoio que me faria dependente dela.
Eu sempre fui muito introvertido, saia para caminhar para esfriar a cabeça, para não contaminá-la com os problemas corriqueiros da empresa. Ela começou a sentir minha falta e logicamente começou a pensar que um filho solucionaria o problema. Eu não estava a fim de ter que parar para trocar fraldas, ensinar meu filho a comer enquanto podia pensar em como resolver fusões industriais, compra e venda de material e garimpo de clientes.
Com meus afastamentos ela começou a ficar mais fria. Sem meu entusiasmo de antes com relação a Estela. Começou a dedicar-se mais a sua vaidade. Acabou ficando egoísta, não perguntava sobre o trabalho, ao qual tanto me dedicava. Lá pelas tantas, vi que ela se sentia mais só e que precisava de compahia. Eu tinha minha vida à parte, na empresa e nas minhas caminhadas. Em raríssimos casos pedi opiniões para decidir minha vida, eu me virava sozinho.
Aconteceu por acaso que num feriado em que sua prima viajou, ficamos encarregados de cuidar do pastor alemão que atendia por Hegel que ela possuía. Nunca gostei muito de animais e achei que por demandarem muitos cuidados Estela também não se afeiçoaria tanto ao bicho. Ele era barulhento e dependia muito de nós, mas talvez por isso minha esposa tenha se apegado tanto ele, ela agora tinha alguma coisa pra cuidar que não do próprio corpo.
Sua prima acabou falecendo na viagem e Estela insistiu em levar o cachorro para casa. Aos poucos, vi naquela mulher, agora mais altruísta, um pouco da menina que conhecera antes e voltamos a nos aproximar, ainda que o bicho pulasse na nossa cama atrapalhando a relação. Mas aos poucos, fui me acostumando com o cusco em casa, se eu chegava do trabalho e ele não estava, por ter saido para passear, sentia falta de sua animação.
Quando chegaram minhas férias, comecei a levá-lo para passear junto comigo, afinal não via mais incômodo na sua compahia. Ao passar mais tempo em casa com minha mulher, comecei a notar que ela tinha ciúmes de mim com o Hegel, tentei dizer a ela que isso era uma bobagem, apesar de morar conosco, ela era a dona.
Foi assim que, uma tarde, ao assistir televisão, sentado no sofá sozinho em casa passei a mão na cabeça de Hegel que lambeu meu rosto. Joguei uma bolinha para ele pegar e nesse momento Estela chega em casa e desmaia. Levo-a até a cama em meus braços e Hegel vem junto, quando ela acorda digo que queria experimentar ser os três bons companheiros, não precisava haver ciúmes entre nós, cuidariamos do cão juntos. Hegel pula na cama e dá a pata a Estela concordando comigo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

eu começo a dar a cara pra bater

Tá, esse texto meu foi beeeem polêmico em sala de aula,já foi reescrito e tirei os eufemismos como a claudia tinha sugerido :)

Era pra fazer um texto sobre triângulo amoroso.


Rogério Luis Beninca

Água morro abaixo, fogo morro acima, e...

Nunca pensei que as coisas fossem ficar assim. Mas no fundo pode ser melhor, apenas não me acostumei com essa situação. Me chamo Estela Fonseca , esposa de Rubem Fonseca, e essa é a historia de como conheci o Madruga.
Me formei em Relações Públicas no ano de 1992, mas só conseguia trabalhos temporários como promoter ou que me pagavam muito pouco. Como Rubem ganhava muito mais do que eu como advogado, com o tempo acabei me conformando e desisti de exercer a profissão. Não queria virar dona de casa, então resolvi dedicar meu tempo livre a cuidar de mim . Passo bastante tempo na academia, no shopping e em salões de beleza, um verdadeiro arraso de mulher, e olha que nem cheguei aos 40 ainda! Porém ,às vezes, me sentia meio vazia, Rubem passa muito tempo trabalhando e fora de casa. Quando tem tempo livre gosta de sair sozinho para longas caminhadas, diz que isso o ajuda a pensar no trabalho.
Era natural, e eu diria inevitável até, que mais cedo ou mais tarde eu sentisse necessidade de companhia. Mas não a companhia fútil das minhas amigas do salão ou da academia, e sim uma companhia mais próxima, se é que entendem o que eu quero dizer. Nas primeiras “puladas de cerca” eu me sentia muito culpada, credo! Mas como também não sou nenhuma criança inocente, comecei a observar as atitudes de Rubem e deduzi que ele também devia dar suas escapadinhas. Essas suas saídas para caminhar sempre demoravam mais do que normalmente uma caminhada, mesmo que longa , deveria durar. Com o tempo a culpa ficou de lado, até porque nenhum dos meus “casinhos” era nada sério, não tinham relevância, quem eu amava de verdade era o Rubem.
Também não sentia raiva de Rubem por desconfiar de seus “passeios” . Acho que de tanto cuidar de mim mesma posso ter me esquecido de como se cuida de outra pessoa. Nas suas raras tentativas de aproximação eu despendia pouca (e não raro, nenhuma) atenção à sua presença, sempre mergulhada em minhas próprias questões, sempre me preocupando com outra pessoa : eu mesma.
Eu não tinha do que reclamar. Rubem sempre fora super atencioso comigo, não se importava com minhas crises de mau humor, com meus gastos, nunca reclamava de nada, enfim, o marido dos sonhos de muita menina por aí. Não tivemos filhos; esse no começo do nosso casamento até era um de meus desejos, mas Rubem sempre se esquivava . Aos poucos, o desejo foi esmaecendo e ficamos isolados cada um dentro de si. Vazio. Existia um vazio dentro de mim.
Era assim que eu estava me sentindo quando vi o Madruga pela primeira vez. O jeito que ele me olhava me reconfortava, me fazia sentir jovem novamente, me inspirava, parecia fazer eu voltar a respirar novamente e perder o fôlego ao mesmo tempo. Ele tinha um jeito pacato , se movia e andava devagar, mas ao mesmo tempo parecia ameaçador, pois tinha um porte físico enorme, descomunal. Parecia que estava sempre pronto para atacar. Esse seu jeito dúbio acho que foi o que me cativou. Minhas aventuras de sempre já não me bastavam mais, eu queria correr o risco de me apaixonar novamente, de um jeito diferente. Queria me sentir viva, e Carlos me proporcionava isso.
Foi sem querer que o destino nos uniu. Madruga morava com uma prima minha. Em um desses feriados prolongados ela iria viajar e não poderia levá-lo junto, ao mesmo tempo queria aproveitar para desinsetizar a casa onde viviam. Ele tinha pavor de hotéis, e como nossa casa era muito grande e próxima da minha prima, ofereci hospedagem, afinal era só um feriadão. Não foi. Minha prima morreu em um acidente de avião naquele final de semana trágico. Madruga estava desconsolado, não podíamos simplesmente mandá-lo embora. O tempo foi passando e aquele hóspede que a princípio ficava “na dele” se tornou nosso melhor amigo. Mais do que isso, um verdadeiro membro da família, estava sempre junto de nós em cada momento. Sua presença amenizou um pouco o clima entre mim e Rubem, já que eu ficava mais em casa. Acho que o triste episódio em sua vida me fez olhar para fora novamente.
Para fora até demais. Passava as tardes com Madruga em casa. Nos tornamos íntimos. Não queria admitir, mas estava perdidamente apaixonada. Ainda relutei um pouco a me entregar, porque ele era diferente. Era amigo de Rubem e passou a morar definitivamente em nossa casa. Eu seria capaz de fazer uma coisa dessas? Logo agora que as coisas estavam melhorando comigo e Rubem. Mas eu precisava viver. Havia aquele vazio, e o desejo por experiências novas era mais forte do que eu, me deixava excitada. Precisava amar Madruga. Não suportei. Cedi. Madruga também. Ele por sua vez parecia estar muito à vontade. Parecia fazer parte de sua natureza, parecia estar acostumado a domar uma mulher. E como ele era maravilhoso. Era como se eu fosse sua dona, mas ele que parecia me domar. Era um jogo.
Eu estava muito satisfeita. Tinha toda a aventura que precisava, sem sair de casa. Nem percebia mais o vazio. Apenas esperava Rubem sair para o trabalho para me entregar a Madruga. Quando Rubem chegava, fingia que nada tinha acontecido durante a tarde, mas dentro de mim transbordava malícia. E como isso me deixava quente! Eu e Madruga erámos cúmplices perfeitos. Melhor do que isso, minha relação com Rubem até deu uma apimentada, volta mos a fazer sexo como fazíamos no início do nosso casamento. Não sei se por culpa ou por medo que descobrisse minhas aventuras com Madruga. Realmente não queria perder aquilo. Não podia.
Mas o tempo passou tão rápido que logo chegou a época das férias de Rubem. Ia ser penoso, mas teríamos de me controlar. Madruga passou a acompanhar Rubem em suas caminhadas. Como de praxe, a demora. Não questionava Rubem a respeito de nada, não tinha coragem de ouvir uma mentira, tampouco tinha medo de descobrir alguma verdade desagradável. Tentei voltar à rotina anterior de shopping-salão-academia para ver se o tempo passava um pouco mais depressa, estava a ponto de enlouquecer , já estava subindo pelas paredes. Até que foi bom, rever as amigas, afinal fazia meses que não dava as caras. Mas minha cabeça estava em outro lugar.
Certa tarde volto mais cedo do salão e encontro meus dois amantes na sofá da sala, Madruga a ponto de penetrar seu enorme membro em Rubem , que estava nu e de quatro . Nunca havia me sentido tão traída. Agora fazia sentido Rubem não querer ter filhos, e suas longas ausências. Ele gostava é de outra coisa. Sinto uma forte tontura, não suporto a cena e desmaio.
Quando acordo Rubem está ao meu lado , na cama , segurando minha mão, e Madruga ao pé da cama, observando-me com aquele seu olhar perdido. Rubem me conta que sabia de tudo entre mim e Madruga, e que não se importava, porque me amava e queria que eu fosse feliz, mesmo que amando tal ser. Também me revelara que há tempos havia se descoberto, descoberto seu outro lado e também gostava de aventuras. E que também havia se apaixonado por Madruga e queria experimentar algo novo. Rubem me diz que podíamos continuar os três nos amando e que ninguém precisava saber. Madruga deu um latido de confirmação e logo pulou na cama para me lamber o rosto quando viu um pequeno sorriso se esboçando. Rubem me beija e passa a mão na cabeça de Madruga, nosso querido dog alemão, cúmplice do nosso amor.